Filosofia e seriados americanos
Na Grécia Antiga, reunidas na praça do mercado, as pessoas passavam o tempo discutindo as grandes questões da vida e do universo. Cultivando, assim o hábito de filosofar. E hoje, o que fazem as pessoas contemporâneas?
Na metade do século passado com o surgimento do aparelho mágico mais importante da humanidade, a televisão,as pessoas trocaram as praças pelo conforto do sofá e, segundo o professor de filosofia Mark Rowlands todos os dilemas que mais nos incomodam são tratados nos programs de tv, basta clicar no controle remoto para entrar em contato com a filosofia. Ele afirma que felicidade, individualismo, liberdade, ética, moral, o bem e o mal, e muitas outras ansiedades da vida moderna estão presentes nos programas de tv e conseguimos perceber essas inquietações em seu livro "Tudo o que eu sei aprendi com a tv".
Algumas séries de sucesso:Buffy, a caçadora de Vampiros; Família Soprano; Sex and the City; Friends; 24 Horas; Seinfeld; Os Simpsons e Frasier são analisadas filosoficamente onde há um contraponto entre os principais filósofos e suas teorias com os programas de televisão.O autor cita Platão, Aristóteles, Kant, Nietzsche, entre outros filósofos.
Como nunca assisti algumas não consegui fazer relação com os personagens e as teorias filosóficas. Porém, as ansiedades modernas esmiuçadas em 24 Horas , Os Simpsons e Friends, adorei!! Começo a entender melhor a relação de Ross e Rachel, que durante as temporadas torci pra que ficassem juntos.
"Não pense que isso não tem a ver com você_ somos todos filósofos, tendo ou não consciência disso, tendo ou não folheado um livro de filosofia. A filosofia está em toda parte; está em nossa cultura."p.13
Sem dúvida, uma leitura inteligente e divertida!!
Quem é você , Alasca?
"Este romance de estreia é uma amostra do talento bruto de John Green, o tipo de talento que faz você chegar à última página do livro como uma pessoa completamente diferente."
The Guardian
Nesse livro, o adolescente Miles Halter decide ir para um colegio interno no Alabama onde o pai havia estudado e vai em busca de seu "Grande Talvez". Ele adora biografias e seu hobby é decorar as últimas palavras dos falecidos famosos e conhece no Colégio Culver Creek jovens com outras pecularidades: Chip Martin, vulgo Coronel, que decora as capitais dos países e é um gênio em informática e Alasca, que tem o dormitorio cheio de pilhas de livros.
Na
pilha de livros de Alasca há um que ela gosta muito e que tem uma das
frases finais de Simón Bolívar " Como vou sair desse labirinto?"
retirada do livro de Gabriel García Márquez, O general em seu
labirinto.
O trio se torna inseparável até que acontece uma tragédia que faz com que repense suas atitudes e fortaleça sua amizade.
O universo juvenil é bem traçado por Green pois, nessa fase surgem muitas dúvidas, desafios e nesse momento buscam um sentido pra vida . E como nos livros posteriores os protagonistas tem familiares que se amam e apoiam as suas escolhas por mais que seja difícil.
Porém, meu livro favorito de Green é "A culpa é das estrelas", mas valeu a leitura do primeiro livro dele.
Boas risadas e reflexão
Comprei o livro " A cadeira do dentista & outras crônicas" em um dos muitos sebos que ficam no Edifício Maleta em Belo Horizonte ( míseros R$3,00) e enquanto folheava pra ver se não estava faltando páginas dei de cara com um comentário "Ótimo!!" abaixo de uma das crônicas e no final dela o nome dos alunos leitores. Decidi começar a leitura do livro pela indicação dos alunos e a crônica em questão é " Vida de acompanhante" que relata a ida de Ana ao hospital pra fazer uma cirurgia e que tem o marido como acompanhante que só vai dar trabalho pois, detesta hospital! É hilário!!!
A crônica é um gênero textual que segue uma ordem cronológica fazendo uma narração histórica onde o escritor emite sua opinião estabelecendo muitas vezes um elo com o leitor ao conduzir seus pensamentos críticos de um determinado acontecimento. É o que acontece em "Essas mães maravilhosas e suas máquinas infantis" que faz uma humorada crítica sobre a infância perdida em que as mães competem entre si sobre qual filho é um adulto em miniatura como ressalta o historiador Philippe Airès em seu livro "A história social da criança e da família".
E a atualíssima "A regreção da redassão" que pontua que o estudante brasileiro escreve muito mal e que se continuar nesse ritmo o cronista deverá procurar outra profissão pois, o aluno não sabe escrever porque está perdendo o hábito de ler e quando perder completamente pra quem ele vai escrever?
Ótimas risadas e muita reflexão sobre fatos que continuam em voga!
Último casamento dos Bridgertons
Depois dos sete livros já comentados nesse blog chego ao fim da leitura da série escrita pela Jane Austen contemporanea, Julia Quinn ,com o livro A caminho do altar.
" Este romance é radiante e festivo como uma taça de champanhe. Brindemos a ele. Porque vale a pena." Publishers Weekly
De fato vale brindar ao romance de Gregory Bridgerton e Lucinda Abernathy que teve tantos percalços.
Ele sempre acreditou no amor e queria achar sua alma gêmea. Não podia ser diferente: seus pais se adoravam e seus sete irmãos se casaram apaixonados.
Gregory se apaixona por Hermione Watson que está encantada por outro homem, todavia ele terá a ajuda da melhor amiga dela, Lucy ,para conquistá-la. Tudo muda quando quem se apaixona por ele é Lucy, que já foi prometida pelo tio a um homem que mal conhece.
Nesta história revemos o restante dos irmãos e a mãe que apoiam-no em momentos decisivos e cruciais para que ele chegue ao altar com a pessoa amada.
"(...) Ele não podia manter aquilo em segredo. Não podia deixá-la se casar com outro homem sem garantir que o mundo todo soubesse que ela era dona do seu coração."p9
Quinn nos mostra que tudo o que imaginamos sobre a paixão à primeira vista é verdade_ só precisamos saber onde buscá-la.
QUINN, Julia. A caminho do altar. São Paulo: Arqueiro,2016.
O mundo dos dragões
Na década de 1980, Martin um grande apreciador de historias de cavaleiros começou a escrever também sobre dragões e assim ele ecreveu o livro "O dragão de gelo" que antecedeu o seu maior sucesso a série " As crônicas de Gelo e Fogo" que virou um seriado de grande sucesso na HBO,o aclamado Game of Trones.
O livro é enriquecido com as belas ilustrações do artista espanhol Luis Royo que conseguiu transmitir em seus traços a essência da história entre a pequena Adara e o seu dragão de gelo.
Ela é filha do inverno, do gelo , do silêncio. Quando a menina nasceu, o frio lancinante que se abateu sobre as Terras do Norte onde mora com seu pai e seus dois irmão mais velhos deixou marcas profundas, que jamais foram esquecidas.
Adara contava os dias para o inverno. A gélida estação era o anuncio da chegada de seu melhor amigo, o misterioso e temido dragão de gelo.
Órfã de mãe, a pequena menina só ficava feliz quando o inverno chegava diferente de seus irmãos mais velhos Geoff e Teri que amavam o verão e a primavera. Porém, sua vidas correm risco devido às guerras entre os reinos e a amizade da menina com seu dragão será posta à prova.
Este é um livro sobre a força, o poder e a beleza da amizade!!
Superando as adversidades
O título desse livro concebido pelo autor espanhol Javier Moro vem de uma criação do dr. Mitra, médico inglês de origem indiana, uma prótese que custava uns quatro dólares e era conhecida como "o pé de Jaipur" que acabou se transformando na protese mais utilizada no mundo.
" Jaipur também é conhecida na Índia como a cidade dos médicos. O enorme hospital Sawai Mansingh forma o núcleo central de um complexo que compreende uma faculdade de medicina, uma de farmácia, varias bibilotecas, residências para estudantes e até uma agência de correios própria."p195
Porém, o centro de fisioterapia atendia na maioria deficientes de zonas rurais e os desvalidos pobres, que em sua maioria sofria mais com as guerras e as minas terrestres.
O livro relata histórias reais de superação: o jovem francês, Christophe que aos 20 anos sofre um grave acidente e se torna tetraplégico; o cambojano Song Tak um sobrevivente do Khemer vermelho e outros que vão vencendo as adversidades e preconceitos sofridos por sua deficiências fisicas.
Achei bem legal o ensejo dado à organização da Paraolimpiada de Barcelona de 1992.
A "(...) transformação estava nos grandes deficientes da historia: a surdez não havia impedido Beethoven de compor, nem a paralisia impedira Franklin Roosevelt de dirigir os destinos do seu país, nem a falta de um braço impedira Cervantes de escrever o Quixote." p 217
Gostei muito da escrita de Moro e pretendo ler mais livros de sua autoria.
Vale a pena ler!!!
MORO, Javier. O pé de Jaipur.São Paulo: Planeta,2013.
Última duquesa
O livro ressalta a diferença entre o Novo Mundo -Estados Unidos e o Velho Mundo- Inglaterra no final do século 19 e as ambições e decadências dos dois mundos, as frivolidades da aristocracia inglesa e os excessos dos novos ricos.
A protagonista Cora Cash é uma riquíssima herdeira norte-americana, que vive no luxo em Newport que casa-se com um aristocrata inglês, o 9º duque de Wareham para alegria de sua mãe que queria um título da nobreza para sua família para garantir mais status e respeitabilidade no Novo Mundo.
" A sra Cash há muito buscava ser a anfitriã mais importante de seu tempo, e ter uma filha duquesa só traria esse dia para mais perto..."p118
Diferente de outros romances históricos esse não romantiza o encontro dos dois e, é um pouco seco, principalmente porque não é descrito os pensamentos e sentimentos de Ivo, o duque em relação a sua esposa e as demais situações que envolvem os outros personagens.
E achei desnecessário o aparecimento de alguns personagens terciários que eram descritos às vezes com detalhes e apareciam apenas em determinado momento como o caso do homem do beija-flor; do sr. Canadine que aparece apenas na caçada; na chapeleira Florence Dursheimer e outros que aparecem apenas pra encher páginas.
A única coisa que valeu à pena foi ler sobre a criada de Cora, a negra Bertha que demonstra seus temores quanto à situação de viver em Londres e do preconceito que sofria em Newport, além das diferenças das acomodações da mansão e da casa inglesa. E, que sempre defendia a duquesa e diferentemente de outros criados que faziam mexericos sobre os patrões ela sempre foi discreta para proteger a sempre "Senhorita Cora" sobrepondo a sua fidelidade a ela acima do amor por Jim.
"Jim deixou a mão cair.
_Ela tem uma família, Bertha. Você é só a empregada.
_ Mas ela precisa de mim. Eu sei que precisa." p364
Enfim, não é um livro que prende a atenção, porém na falta do quer ler vai ele mesmo!!
GOODWIN, Daisy. Minha última duquesa.São Paulo, SP: Editora Fundamento Educacional,2013.